Conseguimos e vamos consegui!

2009 Novembro 9

Conseguimos!

Vitórias esmagadoras, na Região Autónoma, em três eleições que o Partido Social Democrata disputou neste último ciclo, as europeias, as nacionais e as autárquicas. É uma vitória de todos os Militantes sociais-democratas que, em cada Freguesia, deram o seu esforço e a sua participação cívica. Obrigado, em nome do PSD/Madeira! É sobretudo uma vitória do Povo Madeirense que, mais uma vez, demonstrou a Sua inteligência, o Seu civismo, o Seu objectivo de Estabilidade na prossecução do Desenvolvimento Integral de todos e de cada um que residem no arquipélago. E vejamos o balanço, do qual só temos de nos orgulhar. Começámos por ganhar as eleições para a Assembleia Constituinte, em 1975. Assumimos a governação regional, em permanência, desde 1976. Ao contrário do natural desgaste que tal poderia provocar, somámos um total de quarenta e três vitórias eleitorais, ao longo de tantos e diferentes sufrágios. Apesar da pequena dimensão do nosso território autónomo, estamos representados no Parlamento Europeu. Mantemos quatro Deputados na Assembleia da República. Temos uma maioria superior a dois terços, na Assembleia Legislativa da Madeira. Cabe-nos a responsabilidade da totalidade dos Municípios do arquipélago e de quarenta e nove das suas cinquenta e quatro Freguesias (em cinco excepções por sinal pequenas e não urbanas). A Fundação Social Democrata da Madeira, da responsabilidade dos autonomistas sociais-democratas, criou um Património razoável. Isto é, aqui o «desgaste» funcionou ao contrário. Porém e sobretudo, o mais importante de que todos os Militantes sociais-democratas têm a Legitimidade e o Direito de se orgulhar, é a profunda transformação do arquipélago, não apenas nos aspectos económicos e infraestruturais, mas principalmente nos âmbitos social e cultural que, num curto ciclo de três decénios, fomos capazes de concretizar. Tudo isto são evidências, ante as quais não conta o que os nossos adversários, internos ou externos, possam espernear em meros episódios menores e paroquiais sem expressão para a História. Se a vaidade e a arrogância são péssimas, ao contrário todos os Militantes autonomistas sociais-democratas só têm de se orgulhar do conseguido, num sentido de motivação para persistir num caminho de sucesso. «Só a Verdade é revolucionária». Fizemos o que tínhamos de fazer, com imperfeições ou erros de percurso, próprios da Obra humana, mas nos tempos certos que as realidades difíceis de hoje comprovam. E fizémo-lo, porque nunca nos desviámos dos Pilares Fundamentais logo definidos no I Congresso Regional do Partido Social Democrata, já lá vão mais de trinta anos, o primado da Pessoa Humana, o Trabalho como sua forma de realização, a Democracia, a Autonomia e a Socialização. Porque soubemos viver, juntos, uma prática robustecente e livre de disciplina democrática e partidária. É este património cívico-cultural que não admite quaisquer tergiversões no futuro. Mal de todos nós, se o Partido Social Democrata adormecesse ou se deslumbrasse com tudo aquilo que conseguimos. Tudo na vida é efémero, principalmente na Política. Hoje, é já dia de trabalho para o futuro, assente em tudo o que nossa História desde a fundação em 1974. Temos de ser ainda melhores. Procurar chamar à prática democrática, todos aqueles que, por qualquer razão, normalmente são abstencionistas, motivando-os devidamente. Convencer melhor todos aqueles que votam contra nós, sempre ou por vezes, ouvindo-os atentamente, indo ao encontro das respectivas razões legítimas, mas nunca abdicando dos nossos Valores atrás referidos como Pilares Fundamentais da existência e acção do Partido Social Democrata da Madeira. Sem nunca nos deixarmos envolver nas habituais conflitualidades inadmissíveis do PSD nacional, nem nunca nos dividimos, cá, por causa delas. Fazendo da amizade, da lealdade e da frontalidade nas relações internas, a prática de vida entre todos os Companheiros de percurso. Como, também, não hesitando em expurgar quem quiser arrastar o PSD/Madeira para outros Princípios e práticas diferentes, inclusive para tal recorrendo a exibicionismos desastrosos na praça pública. É pior para o Partido Social Democrata mantê-los no interior, do que lhes retirar o estatuto de nossos Companheiros. Assim se fez sempre e para nosso bem. Em princípio, será convocado um Congresso Regional lá para na Primavera de 2011. Todos sabem já a importância de que se revestirá, e seria um erro tremendo se deixar confiar na situação nos outros Partidos. Daí um trabalho, JÁ. Sem a praça pública e atentos, sempre, às manobras da comunicação social que nos é hostil – mais oposição do que a própria Oposição – a qual, ao contrário do que infelizmente sucede a nível nacional, não tem que nos ditar «ordens», nem definir caminhos, mais a mais inqualificada como é. JÁ, significa, de imediato, começar por ouvir exaustivamente a população, discreta e pessoalizadamente, sobre o que entende dever ser um futuro do Partido Social Democrata da Madeira que lhe continue a merecer confiança. Na Região, o futuro do PSD depende mais do que o Povo Madeirense entenda, do que propriamente do voto interno dos Militantes. Depois, titulares de uma informação o mais completa possível, as trocas de impressões internas, sempre na maior discrição, a ver que consensos de unidade são possíveis concretizar até o Congresso. Os Militantes sociais-democratas estão perante um dos maiores e mais decisivos desafios da nossa História de trinta e cinco anos. É o tempo certo, não só perante o fatal novo ciclo que será o pós-2011, como dado o estado da Oposição, descredibilizada e rareando-lhe Quadros. Conseguimos! Vamos conseguir outra vez! Com a devida vénia do “Madeira Livre” de Novembro Artigo de

Opinião de : Alberto João Jardim in JORNAL DA MADEIRA [09-11-2009]

«Classe política decadente»

2009 Novembro 6

O presidente do Governo Regional assistiu ontem a uma parte da discussão do Programa de Governo da República e concluiu que «a classe política parece hoje um grande deserto».
Alberto João Jardim chegou ontem ao Porto Santo e hoje o Governo Regional reúne-se com a Câmara Municipal da ilha dourada. Ontem à tarde o presidente esteve a trabalhar, aproveitando, como é hábito, as instalações da Direcção Regional dos Serviços da Administração do Porto Santo.
Momentos antes de entrar na Direcção Regional, o líder do governo madeirense falou do debate do programa de Governo, mas esclareceu que não o acompanhou o dia inteiro.
«Eu só vi uma hora de debate antes do almoço», disse, concluindo que o que observou são «sempre as mesmas histórias».
«A avaliação dos professores, questões relacionadas com leis do trabalho e com o subsídio de desemprego. Agora, confesso que durante a hora e tal que vi o Programa de Governo, a classe política parece-me hoje um grande deserto», referiu, justificando de seguida: «Primeiro, não se debate as grandes questões do país, que reformas são preciso fazer para o país tornar a alavancar economicamente e em termos de emprego. Segundo, não aparecem as sugestões e as decisões firmes necessárias para se transformar Portugal».
Portanto, «o pouco que eu vi da discussão foi mais do mesmo», avaliou.
O presidente recorda-se ainda de ter ouvido «um indivíduo qualquer a dizer asneiras sobre o Centro Internacional de Negócios da Madeira», mas esse momento também não o surpreendeu «porque é uma classe política decadente e que diz asneiras».

«Lenga-lenga de chacha»

Sobre o que diz o Programa de Governo da Madeira, Alberto João Jardim já havia comentado no dia anterior.
Num artigo de opinião ontem publicado no Jornal da Madeira, Jardim considerou o programa de governo socialista uma cópia do «panfleto eleitoral provocatório».
«Faz festa com foguetes alheios, dizendo que continuará parte do positivo que vinha já de Governos antecedentes, mantém o revanchismo financeiro de carácter político-partidário contra o Povo Madeirense e ameaça intervir em matérias que são competência da Assembleia Legislativa da Madeira», avalia.
Ainda sobre o programa, Alberto João Jardim diz que o mesmo fala de uma futura iniciativa de Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma da Madeira que, conforme a Constituição da República, «é decisão exclusiva do parlamento madeirense».
Por outro lado, «silencia-se ante a inadmissível orientação do serviço público de rádio e de televisão no arquipélago, e também consentindo intervenções e controlo da direcção de “informação” em Lisboa.
Depois Jardim pede especial atenção para uma passagem do referido programa. «E vejam esta “pérola”: “O Governo assume, naturalmente (?!… o que quer isto dizer? Ou assume, ou não assume!…) a obrigação de cumprir o disposto no Estatuto Político-Administrativo de cada uma das Regiões Autónomas relativo à titularidade dos imóveis propriedade do Estado localizados nas Regiões e que se encontram desafectos, não utilizados ou abandonados, agilizando esses processos nos casos em que a obrigação de valorizar bens do património cultural português construído, e em estado de abandono, aconselhe a transferência urgente da respectiva propriedade e tutela para o património público regional. Isto é uma lenga-lenga de chacha».

Mas que “programa”!…

2009 Novembro 5

No tocante às Regiões Autónomas, o programa de governo socialista repete o seu panfleto eleitoral provocatório.
Faz festa com foguetes alheios, dizendo que continuará parte do positivo que vinha já de Governos antecedentes, mantém o revanchismo financeiro de carácter político-partidário contra o Povo Madeirense e ameaça intervir em matérias que são competência da Assembleia Legislativa da Madeira.
Fala de uma futura iniciativa de Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma da Madeira que, conforme a Constituição da República, é decisão exclusiva do Parlamento madeirense.
Silencia-se ante a inadmissível orientação do serviço público de rádio e de televisão no arquipélago, e também consentindo intervenções e controlo da direcção de “informação” em Lisboa.
E vejam esta “pérola”: “O Governo assume, naturalmente (?!… o que quer isto dizer? Ou assume, ou não assume!…) a obrigação de cumprir o disposto no Estatuto Político-Administrativo de cada uma das Regiões Autónomas relativo à titularidade dos imóveis propriedade do Estado localizados nas Regiões e que se encontram desafectos, não utilizados ou abandonados, agilizando esses processos nos casos em que a obrigação de valorizar bens do património cultural português construído, e em estado de abandono, aconselhe a transferência urgente da respectiva propriedade e tutela para o património público regional”.
Isto é uma lenga-lenga de chacha.
Primeiro porque, na prática, se traduz no seguinte: “se estiver degradado ou em ruínas, vocês (Povo Madeirense) fiquem com isso e paguem a reconstrução do que nós usámos ou estragámos!”.
Muito obrigado, mas paguem vocês (República Portuguesa).
Segundo, trata-se de uma camuflagem para iludir o cumprimento da lei – embora, neste Portugal original e conforme o douto Tribunal Constitucional, espantosamente haja normas que podem não valer como normas, se não estiverem inseridas na lei que o dito Tribunal queira, como diz o “brilhante” acórdão sobre a “lei de finanças regionais”, em que, numa das mais descaradas e incivilizadas agressões ao Estado de Direito, o mesmo Tribunal “apagou” do Estatuto Político-Administrativo da Madeira (lei 130/99 de 21 de Agosto), normas do Regime Financeiro da Região Autónoma!
Ora, a referida camuflagem reside em o programa socialista de Governo, OMITIR os casos de bens que já são do domínio público da Região, mas que estão OCUPADOS por Serviços do Estado.
Veja-se o artigo 144.º (enquanto o Tribunal Constitucional também o não “apagar”) da referida lei 130/99 de 21 de Agosto: “1. Os bens do domínio público situados no arquipélago, pertencentes ao Estado, bem como ao antigo distrito autónomo, integram o domínio público da Região. 2. Exceptuam-se do domínio público regional os bens afectos à defesa nacional (isto tem sido esgrimido para impôr uma abusiva intervenção sobre o litoral do arquipélago, tipo “cerca de arame farpado”, como se qualquer circunstância referente ao litoral, fosse sempre “matéria de defesa nacional”! Que ridículo!…) – continuando – e a serviços públicos não regionalizados NÃO CLASSIFICADOS COMO PATRIMÓNIO CULTURAL”.
Para já, a lei é clara no sentido de que os bens que já pertenciam ao distrito dito “autónomo”, bem como aos Municípios da Região Autónoma, são Património do Povo Madeirense, bem como os bens do Estado, com a Autonomia Política transferidos nos termos do n.º 1 da lei em referência.
Bem como é claro que apesar das excepções previstas no n.º 2, também são Património do Povo Madeirense TODOS aqueles bens que mesmo afectos a serviços públicos não regionalizados, ESTEJAM CLASSIFICADOS COMO PATRIMÓNIO CULTURAL.
É o caso das Fortalezas de S. Lourenço e do Pico.
O caso da devolução do Pico, é a manifesta fragilidade do Estado ante a Marinha.
Já o caso de S. Lourenço, trata-se de um braço-de-ferro do Estado, com natureza demonstrativa de força em termos coloniais, ante um Símbolo que é emblemático para a Causa da Autonomia.
Ou melhor, talvez não do Estado, mas do jacobinismo dos socialistas, visto que o assunto estava praticamente resolvido no Governo Durão Barroso e não houve tempo para concretizar na coligação liderada por Santana Lopes. Parecendo indiferente aos socialistas, o incómodo que a situação oferece às próprias Entidades que ainda lá estão.
Aliás, não foi por acaso que, na Assembleia da República, os socialistas, quando com maioria absoluta, tentaram uma proposta escandalosamente inconstitucional que permitia ao Governo “deles”, POR SIMPLES DESPACHO CONJUNTO ministerial, unilateral e discricionariamente retirar Património às Regiões Autónomas e aos Municípios!
A “bronca” foi tal, que deixaram cair a iniciativa.
Mas o “novo” programa eleitoral, dito “de Governo”, promete…
E aos Autonomistas Madeirense, acusa-se de “politicamente incorrecto” gritar “estamos fartos!”.

Artigo de Opinião de : Alberto João Jardim, in JORNAL DA MADEIRA [5-11-200]

Governo promete aprofundar autonomias

2009 Novembro 3

O programa de Governo socialista compromete-se em aprofundar as autonomias político-administrativas dos Açores e da Madeira por representarem “estratégias de descentralização de grande relevância para o País”. O documento sublinha que as regiões insulares portuguesas têm vindo a consolidar o seu estatuto de autogoverno num percurso de convergência com os índices de produtividade e rendimento nacionais, graças “à revisão do Estatuto Político-Administrativo dos Açores, que veio conferir novos poderes à Região Autónoma dos Açores e que não deixará de se repercutir positivamente no caso da Madeira em processo idêntico futuro; “às responsabilidades directas do Estado nos arquipélagos e no apoio intensivo às autoridades regionais na representação dos seus interesses externos, designadamente junto da União Europeia e ainda “com o apoio financeiro aos orçamentos das Regiões Autónomas, cuja lei enquadradora foi revista no reconhecimento da diferenciação existente dos custos de insularidade em causa”.

“Urge, pois, prosseguir esse esforço de convergência, contribuindo para o progresso e a coesão nacionais” refere o Governo, deixando claro que garantirá “o cumprimento e a avaliação da Lei de Finanças para as Regiões Autónomas, prosseguindo o objectivo de convergência, de solidariedade e de coesão” e desenvolvendo também as condições concretas de financiamento, pelo Estado, dos projectos de interesse comum”.

Estão ainda asseguradas as obrigações públicas do transporte aéreo de e para as regiões, com eliminação das actuais discriminações relativas aos cidadãos de países não comunitários residentes nas regiões; o acautelamento das condições especiais das Regiões Autónomas no processo de privatização da ANA, S. A. e da ANAM, S. A.; a fixação de investimentos nacionais e, ou, externos nos arquipélagos e, entre outros aspectos, o acesso pelas regiões autónomas, em determinados casos, a fundos e sistemas de incentivos nacionais.

O Governo assegurará, de forma concertada com as autoridades regionais, a total complementaridade entre o Serviço Nacional de Saúde e o Serviço Regional de Saúde de cada uma das regiões, no domínio do pessoal médico, do equipamento especial, da facturação recíproca referente aos utentes deslocados por razões pessoais ou de trabalho e da prestação de cuidados de saúde, sem encargos acrescidos para as Regiões, aos doentes residentes nas Regiões Autónomas evacuados para o continente, para o tratamento de patologias que obrigam ao recurso a meios especializados indisponíveis nas regiões.

No âmbito das competências da administração do Estado, o Governo procederá à requalificação dos serviços do Estado nos Açores e na Madeira, estabelecendo um Plano Integrado para o efeito, tendo em atenção as necessidades e as características territoriais em causa, assegurando, ainda, a adequação dos dispositivos de combate à criminalidade, a melhoria da qualidade dos sistemas de Justiça e de Defesa Nacional e a fiscalização das Zonas Marítimas de interesse estratégico nacional.

No que diz respeito à prestação do serviço público de rádio e de televisão, será atribuída especial atenção à requalificação infra-estrutural e à melhoria da capacidade de produção desse serviço em ambas as Regiões.

O Governo garantirá, ainda, a consolidação e desenvolvimento do modelo constitucional de autonomia regional nas suas diversas componentes, institucional, económica, social e cultural.

Nesse sentido, importa reforçar a intervenção em dois domínios fundamentais: assegurar o pluralismo da representação na mesa da Assembleia Legislativa, tal como previsto no Estatuto Político-Administrativo da Madeira, e assegurar a aplicação da lei das incompatibilidades a detentores de cargos públicos, por forma a garantir a adequada transparência no exercício de funções públicas.

in Diário de Notícias da Madeira [03-11-2009]

“Diálogo”… a sério?… – por Alberto João Jardim

2009 Novembro 3

Tomou posse o Governo da República saído das eleições nacionais do mês passado. Mais uma vez se sente a inépcia da legislação da República Portuguesa, permitindo que, para além das paragens na governação que os processos eleitorais causam fatalmente, a posse de um Governo saído de eleições – nacionais ou regionais – só se verifique quase um mês depois (no Reino Unido é praticamente no dia seguinte). Ao contrário do anterior, este Governo socialista é um Executivo com apoio parlamentar minoritário, o que implica uma mudança drástica e ainda de maior instabilidade na débil política portuguesa. É que, nestas condições, o cerne do poder está deslocado do Governo central para a Assembleia da República. Por outro lado, não é claro se falar de um “novo” Governo socialista. O Primeiro-Ministro manteve o núcleo “duro” do anterior Executivo, os seus mais próximos, os que com decisão estratégico-ideológica na condução governativa. Casos de Silva Pereira, Santos Silva, Teixeira dos Santos, Vieira da Silva e Luís Amado, nomeadamente. Tal aponta para não muitas grandes diferenças em relação às contestadas práticas anteriores que o fizeram perder a maioria absoluta, bem como estabelece muita expectativa à volta do que de inovação poderão trazer os novos Ministros. Aliás, com certa surpresa até, viram-se reacções internas no Partido Socialista, por parte de alguns vultos com expressão nacional, sobre a conveniência da chamada ao Governo de alguns rostos cuja carreira pública não se fez nas fileiras da organização partidária. O Primeiro-Ministro, por várias vezes, vem agora anunciando a sua preocupação com o estabelecimento de um melhor clima de “diálogo”. No campo dos Princípios, não se pode deixar de saudar tal intenção. Mas a Política é feita de Homens e de Mulheres com as suas naturais grandezas e misérias. Pelo que José Sócrates está perante um grande desafio ético-pessoal. O de convencer os Portugueses sobre tais intenções, assumindo-as sem reticências, não repetindo erros anteriores, substituindo melhor a paixão e a emotividade por um racionalismo apontado à concretização do Interesse Nacional. A situação de Portugal é grave, pior da que se ouviu durante as campanhas eleitorais, os Portugueses estão sem Esperança, a coesão nacional foi beliscada nos últimos quatro anos, não é tempo para se “brincar” aos Partidos – o socialista e os outros – é hora de mobilizar a Nação e não de “fracturá-la” mais. Vejamos, pois, se isto do “diálogo” é a sério, ou se trata de mais um habitual jogo de Propaganda, que Portugal dispensa e de que os Portugueses estão extenuadamente fartos. A ser a sério o “diálogo”, cabe a todos os que têm responsabilidades públicas, responder com visão patriótica, sem que tal comprometa as legítimas diferenças dos Valores pessoais que cada um assume em Liberdade. E, aqui, ao Senhor Presidente da República tem uma grande missão. A de ser o principal dinamizador deste “diálogo” – se a sério – aproximando as pessoas para além dos documentos oficiais que vêm a ser trocados, contribuindo para que rapidamente se ultrapassem passados recentes e procurando quebrar “gelos” de tempos antecedentes próximos, os quais não devem persistir. A situação em Portugal é de tal ordem, que é preciso humanizar mais e melhor as relações politicas, quer por parte dos Órgãos do Estado, quer dos de governo próprio das Regiões Autónomas, quer dos das Autarquias Locais. Isso dos “resultados partidários”, deve ficar adiado para a ocasião própria, o que agora conta são os resultados nacionais. É evidente que todos temos presente que a sociedade portuguesa, mais a mais com o esclerosamento provocado aos Valores pátrios pela “educação” e pela “informação”, não é uma comunidade toda ela sã. Vão continuar a existir e a intervir, todos aqueles que por motivações culturais, ideológicas, económicas e partidárias, estão indiferentes ao futuro de Portugal e, pelo contrário, até lhes interessa o “quanto pior, melhor”. Esta gente vai fazer tudo, para estragar a regeneração do País. Incluso gente que, na sua evidente mediocridade, não vê para além do egoísmo dos seus interesses pessoais, nem do paroquialismo partidário. É bom que o Primeiro-Ministro entenda isto, de uma vez por todas. E, sobretudo, seja Português.

Artigo de Opinião de : Alberto João Jardim

in JORNAL DA MADEIRA [03-11-2009]

Afinal, onde está a «asfixia democrática»?!…

2009 Novembro 2

Não é que constitua um problema, desde que a questão habilmente enquadrada.
Pelo contrário, trata-se de uma «mais-valia», sobretudo pelo desmentido inequívoco que constitui em relação às vergonhosas campanhas contra o povo Madeirense, tipo «asfixia democrática» ou «défice democrático».
Trata-se de uma prova de que há gente no Continente que para nada presta, ao tentar desmerecer o Povo e a vida democrática na Região Autónoma da Madeira.
Refiro-me à comunicação social no arquipélago.
Se o Leitor estiver em França, por exemplo, e quiser ler um diário conotado com a convencionalmente denominada «direita», entre outros compra o «Figaro». Se o quiser fazer com opção pela convencionalmente chamada «esquerda», entre outros compra o «Le Monde».
O mesmo se passa na Europa, no Reino Unido, na Itália, na Bélgica e em todos os países da União Europeia.
O mesmo se passa na Madeira, podendo as pessoas optar pluralmente entre o «Jornal da Madeira» e o «Diário de Notícias», tal como nas diversas Rádios.
Mas, o que é grave, é já assim não se passar em Lisboa, onde a Informação não decorre como noutros países da União Europeia, Estados Unidos, Canadá, etc.
Toda a comunicação social de âmbito nacional está dominada pelo que se usa de chamar «esquerda», com orientação e profissionais dominantes apenas das áreas políticas entre o «bloco», o PCP e o Partido Socialista.
Com a cumplicidade dos respectivos grupos proprietários privados, quando o são, aos quais é cómodo manter este estado de coisas, para os seus respectivos interesses… desde que não se atrevam a «tocar» naquilo que, como patrões, lhes convém.
E é este género de gente que ainda se atreve a referir «asfixias democráticas», na Madeira de pluralismo de Informação, quando a situação em Lisboa, comparada com a vida das Democracias europeias e americanas, para já não falar do Japão, Nova Zelândia e Austrália, a situação em Lisboa é claramente anti-democrática.
Claramente de «asfixia democrática», como vimos nas últimas eleições.
E a culpa deste primarismo anti-democrático, é claramente do Poder Legislativo nacional que, a começar pelo próprio Partido Social Democrata, nunca foi capaz de estabelecer leis e os necessários mecanismos financeiros para que, no domínio democrático fundamental que é o da formação da Opinião Pública, Portugal tivesse uma vivência semelhante a qualquer outro País democrático.
Pelo contrário e no habitual «politicamente correcto», em síntese medíocre e covarde, o Poder Legislativo foi «enfeitando» e gastando dinheiro aos Contribuintes, através de métodos e de organismos incapazes, estes ao sabor de maiorias parlamentares, roubando assim até ao Poder Judicial algumas competências que Lhe são de Direito numa Democracia civilizada!
Depois, para enganar o excesso de lôrpas que povoam parte da faixa ocidental ibérica, a «asfixia democrática»… é na Madeira!
No nosso arquipélago e contrariando os Acordos entre Estado e Região Autónoma, estabelecidos no Governo Durão Barroso, a RTP e a RDP continuam sob tutela do Governo central, sendo hoje órgãos de arremesso contra o Partido aqui maioritário.
E sendo caso menor e desprezível as cumplicidades de gentinha antes social-democrata, felizmente poucas, que talvez não tenham sabido resistir à tentação dos «trinta dinheiros» – é humano… – e vivam na ilusão da eternidade do poder socialista, ou do «porreirismo» sempre patenteado pelos sociais-democratas, o importante é se ter presente que o Partido Socialista nacional, nestas questões de comunicação social, nunca «brincou em serviço», honra lhe seja feita. Pode ser incompetente quanto ao resto…
Veja-se a tentativa de fechar o «Jornal da Madeira» e Rádios Locais, para que, por cá, tudo ficasse na mesmíssima situação anti-democrática de Lisboa.
Embora, de momento, a tutela dos órgãos de «informação» estatais nem seja financeiramente desejável para os Órgãos de governo próprio da Região Autónoma. Até porque, para mim, o importante que a RDP e a RTP locais revestiriam para a Madeira, seria a de colocação, no Continente, de uma correcta Informação sobre o arquipélago, sem censuras e sem uma descarada intervenção de Lisboa, mesmo aqui.
Porque se é só para «brincar» regionalmente aos Partidos domésticos, passem bem, suportem a despesa, a mim não tira, nem acrescenta. Resta-me protestar legitimamente pela distorção impune do que tem de ser Serviço Público.
Quanto à comunicação social privada, nada tenho com as respectivas opções. São livres. Como os autonomistas sociais-democratas também são livres de dela discordar, de a desmentir quando caso disso e, sobretudo, de contra ela esgrimir os seus Valores quando Estes nela atacados, sem estar sujeitos a censura.
Como vêem, tudo conforme o quadro das Democracias.
Mais. Até quando me trazem «queixinhas» de que este ou aquele disse uma monstruosa falsidade, sou o primeiro a dizer: «faz como eu, responde!».
Como também é sabido que, dentro do Partido a que me honro de pertencer, sempre que uma «iluminária politicamente correcta» vem com a tese de «não responder» para «não hostilizar», mando-a «dar uma volta ao bilhar grande», dada a respectiva ignorância em matéria de Liberdades e de Direitos cívico-democráticos, bem como o patente da sua ignorância política.
Como sou bastante crítico daqueles que podiam escrever ou intervir – desde que não seja para dar estatuto a poucas-vergonhas – mas não o fazem por preguiça.
Afinal, onde está a «asfixia democrática»?!…

Sempre a mesma coisa…

Post-Scriptum: Foi pena o Vereador comunista da Câmara Municipal do Funchal, não estar presente na cerimónia de boas-vindas ao Presidente do Parlamento nacional da Polónia.
Para ouvir o testemunho sobre a criminosa actuação do regime comunista, parece que uma experiência que ainda sonham para Portugal.
Proposta que a paciência democrática do Povo Madeirense lá vai aturando…
E espero que a costumeira ausência dos Vereadores da Oposição neste tipo de eventos mais civilizados, não seja já o desenho de um «cocktail» absurdo, na Câmara, de partidos de modelo democrático com partidos de extrema-«esquerda» e de extrema-«direita». Todos «contra o PSD», estratégia tonta que teve sempre a adequada resposta do eleitorado, e que o PSD agradece.

in JORNAL DA MADEIRA [02-11-2009]

Artigo de Dr. Alberto João Jardim

O primeiro passo para nos livrarmos da TAP

2009 Novembro 2

Fly Madeira Islands (FlyMI) inicia terça-feira ligações aéreas

A companhia aérea madeirense ‘Fly Madeira Islands’ (FlyMI) inicia terça-feira operações entre a Madeira e Lisboa destinadas ao transporte de carga. Numa segunda fase, prevista para o próximo ano, a companhia pretende entrar no transporte de passageiros, quer em voos regulares, quer nos ‘charters’.

Para esta primeira fase, a FlyMI conta com um Boeing 737-300 cargueiro alugado à francesa Europe AirPost. A aeronave vai realizar cinco ligações semanais.

A Fly Madeira Islands foi criada pelo comandante de linha aérea Miguel Freitas.

in Diário de Notícias [01/11/2009]

 

 

O Partido Social Democrata

2009 Outubro 27

Tendo sido um dos fundadores do Partido Social Democrata, na Região Autónoma da Madeira, bem como toda a minha carreira política decorrido sob a bandeira «laranja», obviamente que não posso deixar de legitimamente expressar a minha preocupação com o que vai no PSD nacional.
De facto nunca fui um «alinhado» com todas as posições nacionais do Partido Social Democrata, primeiro por entender que os Partidos não são um fim em si próprios, mas um meio de servir o Interesse Nacional, segundo por ser minha responsabilidade democrática defender o Povo que me elegeu ao longo de nove mandatos.
Mas também constato que, após o desaparecimento de Francisco Sá Carneiro, foi se produzindo um afastamento crescente dos Quadros partidários em relação às motivações do eleitorado que vota ou votaria PSD, excepção ao período dos Governos Cavaco Silva, mas sobretudo graças à competência do actual Presidente da República e ao sucesso como conduziu Portugal.
De resto, tal como tragicamente aconteceu em todos os Partidos, a chamada «classe política» foi se mediocratizando.
Hoje, chegámos a um PSD nacional balcanizado e autofágico, do qual procuro estar o mais longe possível.
Há um ano atrás, antes das eleições internas a que se apresentaram três grupos, propus unir o Partido num projecto sem facções, assente numa Doutrina personalista de social-democracia, com o objectivo de mudar o Sistema político e de derrotar eleitoralmente Sócrates numa campanha dura, sem o «politicamente correcto» e, se necessário, tal como o fez Sá Carneiro, contra o monocórdico esquerdista da comunicação social.
As facções em competição não o aceitaram, inclusive alguns «quadros» enxovalharam-me pessoalmente, todas queriam uma vitória fatalmente de Pirro, mais uma vez esqueceram as consequências funestas do «célebre» Congresso do Coliseu em que aos Portugueses desagrada ver um Partido quebrado em parcelas.
Os «quadros» a brincar aos sub-Partidos, sem atenção ao que pensa e quer o eleitorado social-democrata e os restantes Portugueses que desejam uma luz de Esperança mobilizadora para o País.
E, agora, todos «sacodem a água do capote», cinicamente procurando descarregar todas as responsabilidades sobre Manuela Ferreira Leite.
Nessas últimas eleições internas não votei na Senhora, todos o sabem, porque nunca andei à procura de lugar no carro dos vencedores – nem preciso – e porque o grupo que apoiava Pedro Santana Lopes se me afigurava o mais doutrinariamente próximo de Francisco Sá Carneiro.
Mas estou eternamente devedor à Senhora Doutora D. Manuela Ferreira Leite, por duas razões.
A primeira, pela grande lição de Ética política que deu a este pobre Portugal, não dizendo o que o Povo queria para continuar a ser masoquistamente enganado, mas sacrificando-se em nome das Verdades que tinham de ser assumidas.
A segunda razão, a Sua coragem ante o monopólio da pseudo-«esquerda» na comunicação social, inexistente em qualquer país democrático, ao desmentir todas as calúnias e aldrabices montadas contra a Região Autónoma da Madeira, só por os Órgãos de governo próprio Desta, mais do que jogos de oposição meramente partidária, serem oposição ao Sistema político-constitucional instalado, o qual tem na dita comunicação social a sua «guarda pretoriana» facciosa.
E eis chegados a um ponto em que os «profissionais» do aparelho social-democrata enjeitam todas as responsabilidades, muitas, que têm, substituindo-as pelo pedido da cabeça de uma Senhora líder que termina o seu mandato interno dentro de poucos meses!
Em vez de, primeiro, se inteirarem exaustivamente do que querem e pensam os Portugueses, nomeadamente o eleitorado e o potencial eleitorado social-democrata!
Um «aparelho» que, ao longo de todos estes anos, na sucessão excessiva de líderes nacionais, outra coisa não fez senão, à revelia do eleitorado e do potencial eleitorado social-democrata, ir elegendo os líderes que, em cada momento, a tal comunicação social, dita «de esquerda», lhe ditava! Situacionistas ante o Sistema «deles», o que o Partido Social Democrata não pode ser.
Por ser assim, é que o primeiro passo, agora, não é o de antecipar o final do mandato da Líder.
O primeiro passo é o de reencontrar o Partido Social Democrata com o seu eleitorado e com o seu potencial eleitorado, promovendo eleições em todas as Comissões Políticas Distritais, como eticamente muito bem faz o Presidente da Distrital do Porto, mas eleições que, muito participadas, contornem as medíocres rivalidades paroquiais e consigam Direcções inequivocamente representativas das motivações populares. Sem serem eleitas só por meia-dúzia de votos e com pouca participação.
Então, sim, estarão criadas condições para a escolha de um Líder nacional, não designado pelo monocórdico anti-democrático da comunicação social «de esquerda».
Mais. E imediatamente erguendo a bandeira liderante da regionalização administrativa do Continente.
Uma nota final. Para «esperteza», «esperteza e meia».
Quando José Sócrates foi convidar TODA a Oposição para alguns com ele se coligarem, nesse autêntico escândalo de parecer que para o Interesse Nacional tanto faz um Governo com comunistas, como com o PSD ou o CDS, eu teria proposto aceitar uma coligação em nome do Interesse Nacional na estabilidade governativa.
Mas uma coligação com um Programa a acertar e tendo em conta, já, o facto desta Legislatura ter poderes de revisão constitucional.
Estou certo de que José Sócrates recusaria. Só que já não poderia mais se vitimizar.

Artigo de Opinião de : Alberto João Jardim

in JORNAL DA MADEIRA [27-10-2009]

DARWIN…TRA LE NUVOLE – PICCOLO TEATRO DI MILANO

2009 Outubro 25

brochura

O Piccolo Teatro di Milano surgiu no final da década de 40’s do século XX com o intuito de mostrar ao seu público personagens credíveis e próximas da realidade social que se vivia então, acompanhando as temáticas cinematográficas do mesmo período em Itália.

O Piccolo Teatro de Milano vem a Portugal e apresenta-se em português com a peça Darwin… Tra le Nuvole, que partiu da ideia de Luca Boschi (epistemólogo), Stefano de Luca (encenador) e Giulio Giorello (professor catedrático de BD) e cujo objectivo é mostrar ao público a vida do cientista, comemorando, assim, 200 anos do seu nascimento. O ponto de partida é o seguinte: duas amigas dos nossos dias partem numa viagem pelo tempo para acompanhar a vida do jovem cientista após lerem umas páginas escritas por ele.

A peça acontecerá dia 31 de Outubro pelas 21h30 e 1 de Novembro pelas 16h00 e as 21h30 no Teatro Nacional Dona Maria II, na sala Garrett. O preço varia entre os 7,50€ e os 16€.

Resposta a Saramago III

2009 Outubro 25

O escritor português José Saramago, Prémio Nobel da Literatura, acusou terça-feira o papa Bento XVI de «cinismo» e defendeu que à «insolência reaccionária» da Igreja há que responder com a «insolência da inteligência viva»
Respostas dignas de serem dadas a Saramago, no Fórum SOL:

Este pseudo-intelectual, intragável na escrita e abominável no trato, está certamente numa fase crítica de diarreia mental.
Cínico por natureza, insolente por vocação, de inteligência duvidosa, anda com uma fatal falta de ideias. Na falta de melhor, ataca o Papa, para ver se consegue protagonismo e vender mais uns pasquins.

Saramago é perigoso. Não estão convencidos? Então olhem para a frase: “A razão pode ser uma moral”. Assim, a razão identificar-se-ia com a moral. Logo quem estivesse contra essa moral (saramaguiana?)estaria contra a razão, quer dizer, contra a própria humanidade. MAS ISTO É TOTALITARISMO!

A minha respota:

Cínico e hipócrita é Saramago, e penso que não necessito de justificá-la